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Nevasca e frio extremo: o que espera os Estados Unidos neste inverno

Por Priscylla Silva, Redatora SmartNews USA – Charleston, SC

Estados Unidos se preparam para um inverno de nevascas e frio extremo sob influência da La Niña

O inverno de 2025/26 promete ser um dos mais rigorosos dos últimos anos em várias regiões dos Estados Unidos. Especialistas alertam para nevascas severas, ventos intensos e temperaturas negativas prolongadas, em um cenário moldado pela influência da La Niña, fenômeno climático que altera o comportamento atmosférico global e já mostra efeitos diretos no Hemisfério Norte.

De acordo com a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA), a La Niña teve início em setembro de 2025 e deve se estender até o começo de 2026, influenciando fortemente a formação de frentes frias, tempestades e o padrão de circulação do ar. 

O fenômeno, caracterizado pelo resfriamento das águas do Oceano Pacífico Equatorial, costuma intensificar o frio no norte dos Estados Unidos e reduzir as chuvas no sul, criando contrastes climáticos marcantes em todo o país.

Inverno mais frio e com maior chance de neve

A previsão da NOAA e do Climate Prediction Center indica temperaturas abaixo da média nas regiões norte e oeste dos Estados Unidos, especialmente nas áreas próximas aos Grandes Lagos, nas Planícies do Norte e no Noroeste Pacífico. Combinadas à maior disponibilidade de umidade e à atuação do jato polar, essas condições criam o ambiente ideal para fortes tempestades de neve e eventos de “blizzard”, caracterizados por ventos intensos e baixa visibilidade.

Meteorologistas do Weather Channel e do Fox Weather destacam que, mesmo com uma La Niña classificada como “fraca a moderada”, há potencial significativo para nevascas localizadas de alta intensidade, sobretudo entre dezembro e fevereiro. 

Modelos climáticos também apontam para acúmulos de neve acima da média histórica em estados como Montana, Dakota do Norte, Minnesota, Wisconsin e Michigan.

Polar Vortex pode agravar o frio extremo

Outro fator de preocupação é o vórtice polar, massa de ar gelado que circula o Polo Norte e, ocasionalmente, desce para latitudes mais baixas. Estudos recentes mostram que a instabilidade do vórtice pode provocar incursões de ar ártico mais profundas, resultando em ondas de frio extremo e episódios de neve em regiões pouco acostumadas a esse tipo de evento.

Meteorologistas apontam que, sob a influência conjunta da La Niña e do vórtice polar, há risco de quedas abruptas de temperatura e formação de gelo em estradas e redes elétricas. Isso pode causar transtornos significativos ao transporte, atrasos em aeroportos e sobrecarga nos sistemas de energia e aquecimento.

Sul dos EUA terá inverno mais seco, mas ainda com riscos

Enquanto o norte se prepara para neve e frio rigoroso, o sul dos Estados Unidos deve enfrentar um inverno mais seco e relativamente mais quente. Essa característica, típica dos anos de La Niña, reduz o risco de grandes tempestades de neve nessa faixa do país, mas não elimina a possibilidade de episódios isolados de frio intenso ou geadas fora de época.

O Farmers’ Almanac, tradicional publicação de previsões sazonais, descreve o inverno 2025/26 como “frio, ventoso e com neve abundante”, principalmente nas áreas centrais e no entorno dos Grandes Lagos. O cenário reforça a necessidade de preparo das autoridades locais, com estoques de sal e areia para rodovias, manutenção das redes elétricas e planos de contingência para emergências climáticas.

Incertezas e impactos esperados

Apesar das projeções consistentes, os meteorologistas alertam que a distribuição das nevascas pode variar bastante ao longo do inverno, já que outros padrões atmosféricos, como a oscilação do Atlântico Norte, podem modificar o regime de chuvas e a intensidade do frio. Ainda assim, a tendência geral aponta para um inverno mais frio, mais úmido e mais severo no norte e centro do país.

As consequências vão além do desconforto térmico. Setores de transporte, energia e agricultura já se preparam para enfrentar desafios, como o aumento do consumo de energia, atrasos logísticos e riscos de perdas em regiões agrícolas afetadas pelo congelamento.

Enquanto isso, o turismo de inverno deve se beneficiar do cenário, com acúmulos de neve ideais para esportes e atividades na montanha, especialmente nos estados do norte.

Um inverno que exige atenção e preparo

Nevasca deve atingir a parte leste dos Estados Unidos – Foto: MICHAEL M. SANTIAGO / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / GETTY IMAGES VIA AFP

Com a persistência da La Niña e o fortalecimento do vórtice polar, os Estados Unidos entram no inverno de 2025/26 sob alerta ampliado para eventos extremos de neve e frio. As autoridades meteorológicas reforçam a importância do acompanhamento das previsões semanais e da adoção de medidas preventivas, principalmente em áreas mais suscetíveis a nevascas intensas.

Embora nem todas as regiões do país enfrentam o mesmo grau de severidade, o consenso entre os especialistas é claro: este será um inverno marcado por extremos climáticos, exigindo preparo, resiliência e atenção redobrada da população.

//Fontes: NOAA – National Oceanic and Atmospheric Administration; AccuWeather; Jornal Lagoa News

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